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O Presidente da Direcção
José Lourenço Pinto, Dr.
Um
escritor francês do séc. XVIII, Buffon, no
discurso que proferiu ao ser recebido entre os
seus pares da Academia Francesa, disse uma frase
lapidar que se vem repetindo ao longo dos
tempos:
Le style c’est l’homme
E
expressou uma verdade perpétua e, por isso, actual.
Todos me conhecem e sabem que sou um homem do foro, alguém
que vive no mundo do Direito, senhor de um pensamento
imbuído de normas pautadas pela razão e provadas pelo
costume.
Assim, ninguém se admirará de que haja respeito pelos
ditames legais que a todos garantem a equidade. Nesta base
assentou a razão por que, na escolha do elenco directivo, se
procurou caldear “o saber de experiência feito” com o
á-vontade no domínio jurídico. De todos os elementos agora
empossados se espera (e disso estou seguro) uma colaboração
leal na certeza de que lhe corresponderá perfeita
reciprocidade.
Postos estes
prolegómenos, esperam Vªs Exªs que aponte a traços largos as
linhas de rumo da acção directiva que hoje se inicia.
Peço que não vejam no que disser qualquer laivo de menor
apreço pelo que se veio fazendo ao longo do tempo, mas se
entenda como o anseio de superação, ínsito a todo o ser
humano, pois, como diz Sebastião da Gama “Pelo sonho é
que vamos”.
Quero
aproveitar este ensejo da tomada de posse dos corpos
gerentes da nossa Associação para trazer à memória a
necessidade de revitalizar a vertente associativa. Não se
pense que a Associação portuense deseja sobrepor-se a todas
as outras. Pretendemos apenas manter relações institucionais
com os nossos pares, salvaguardando os interesses de cada um
de nós. Anseia-se somente por que o movimento associativo
desempenhe cabalmente a sua missão e contribua, tanto quanto
estiver ao seu alcance, para uma nova dinâmica de acção e de
triunfo.
O
nosso povo ensina que “a união traz a força” e os
estudiosos da Psicologia afirmam, na teoria gestaltista, que
o “o todo é mais do que a simples soma das suas partes”.
De facto, se nos dermos as mãos e nos entregarmos
afoitamente às tarefas comuns, conseguiremos êxitos
insuspeitados e contribuiremos para uma melhoria notória do
nosso mundo.
Congraçados no seio da F.P.F. ganharemos força,
construiremos mais e melhor o nosso futuro, teremos uma
expressão respeitada e as nossas palavras ecoarão na
sociedade contemporânea.
Exijam-se ideias claras, proponham-se objectivos concretos e
multiplicar-se-ão as iniciativas, aumentará a energia e o
resultado só poderá ser um futuro melhor.
Mas
a nossa preocupação maior consubstanciar-se-á no cuidado com
a juventude.
Num
tempo em que campeiam vícios e surgem solicitações de todo o
género (tabaco, álcool, droga...), em que se retirou o freio
à libertinagem sexual com sacrifício da verdadeira
liberdade, em que cresce o alheamento e abandono das tarefas
escolares, em que as novas tecnologias despejam em catadupa
conhecimentos que deviam obedecer a uma pedagogia gradual,
impõe-se fazer um esforço sério para sustar essa avalanche
de descomedimentos, minorar os riscos e encaminhar as novas
gerações na senda do dever e da plenitude humana.
A
sabedoria da nossa gente avisa que “mais vale prevenir
que remediar” e é por essa via que temos de
enveredar para impedir comportamentos desviantes graças à
prática do desporto, que constitua uma ocupação dos tempos
livres, garanta uma mente sã num corpo são, como preconizava
o poeta Juvenal, e impeça a exclusão social ou a
marginalização degradante, como vem clamando o Senhor
Presidente da República.
Todavia este projecto não poderá ser levado à prática
somente pela Associação, pois implica a colaboração de
outras entidades, sobretudo as Autarquias, que têm sob a sua
alçada as infra-estruturas e que poderão ter um papel
fundamental na sobrevivência dos próprios organismos
desportivos – os clubes (licenças, instalações, vistoria,
etc.).
Quanto
fica dito não impede que dispensemos especiais cuidados à
formação e valorização dos responsáveis pelos diversos
pelouros desportivos:
- procurando iniciar paulatinamente no dirigismo todos
quantos evidenciam qualidades de chefia, dotes de
inteligência e vigor psíquico que se afirmem espontaneamente
sem arrogâncias descabidas nem tibiezas entorpecedoras;
- incrementando a formação e aperfeiçoamento dos
treinadores, para que sejam capazes de desempenhar a dupla
função de ensinar os segredos do Desporto e, ao mesmo tempo,
incutir nos que lhes estão confiados o sentido do dever, do
sacrifício, da humildade na hora do triunfo, bem como o da
fortaleza no momento do infortúnio;
- atraindo os elementos idóneos para juízes das pugnas
desportivas, olhando à sua envergadura moral, ajuizando da
dose indispensável de bom-senso, avaliando a sua tendência
para uma conduta de exigente prudência, de segurança e de
gosto pelo estudo das leis que regem o desporto a que se
destinam;
-
solicitando a
colaboração de todos aqueles sem cuja presença dificilmente
se efectuariam as manifestações desportivas, pessoas
aparentemente anódinas, mas indispensáveis para a existência
das competições.
Isto é o que queremos. Permita Deus que o consigamos.
Tenho dito.
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